A alfabetização é uma etapa fundamental no desenvolvimento das crianças. É nesse período que os alunos começam a compreender a relação entre letras, sons, palavras e significados, construindo as bases para a leitura e a escrita.
Para apoiar esse processo, as atividades de alfabetização precisam ser planejadas de acordo com as hipóteses de escrita, os conhecimentos prévios e o ritmo de aprendizagem de cada estudante.
Neste artigo, você encontrará sugestões de atividades de alfabetização para o 1º e o 2º ano do Ensino Fundamental, orientações para utilizá-las em sala de aula e ideias para adaptar as propostas às diferentes necessidades de aprendizagem.
O objetivo é ajudar professores a organizar práticas pedagógicas significativas, que estimulem a consciência fonológica, o reconhecimento das letras, a formação de palavras e a compreensão da leitura.

O reconhecimento das letras do alfabeto é uma aprendizagem importante no processo de alfabetização. Nessa etapa, as crianças começam a identificar as letras, observar suas características, perceber diferenças entre letras semelhantes e compreender que a escrita representa a linguagem oral.
É importante proporcionar experiências variadas, utilizando nomes próprios, imagens, cartões, jogos, letras móveis e situações reais de leitura e escrita. O objetivo não é apenas memorizar o alfabeto, mas ajudar os estudantes a reconhecer as letras em diferentes contextos e compreender como elas são utilizadas na formação das palavras.
As atividades a seguir podem ser realizadas individualmente, em duplas ou em pequenos grupos, conforme os objetivos do professor e as necessidades da turma:
ATIVIDADE 1 — ENCONTRE A LETRA INICIAL
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a capacidade de identificar o som inicial das palavras e relacioná-lo à letra correspondente, ampliando os conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabética.
Materiais necessários:
- Cartões com imagens de objetos, animais e alimentos conhecidos pelas crianças.
- Cartões com as letras do alfabeto.
- Folhas para registro, lápis de escrever e lápis de cor.
Como preparar a atividade:
Selecione imagens de palavras familiares, como BOLA, CASA, DADO, MALA, SAPO, FACA e PATO. Prepare também cartões com as letras iniciais dessas palavras. Se possível, utilize imagens nítidas, com apenas um elemento principal, para facilitar a identificação.
Passo a passo para realizar em sala de aula:
- Apresente uma imagem aos estudantes e pergunte o que eles estão vendo. Por exemplo: “O que aparece nesta figura?”. Aguarde que respondam “bola”.
- Pronuncie a palavra lentamente, destacando seu som inicial, sem exagerar ou acrescentar vogais ao som da consoante.
- Pergunte: “Que som você escuta no começo da palavra BOLA?”. Incentive as crianças a observar como a palavra começa.
- Apresente algumas letras e peça que escolham aquela que representa o som inicial da palavra.
- Convide os alunos a procurar outras palavras que comecem com o mesmo som. Por exemplo, BOLA e BONECA.
- Finalize solicitando que registrem a palavra, circulem sua primeira letra e façam um desenho correspondente.
Intervenções pedagógicas do professor:
Durante a atividade, observe se a criança identifica a imagem, reconhece oralmente a palavra, percebe o som inicial e consegue relacioná-lo à letra escrita. Se apresentar dificuldade, ofereça duas opções de letras, pronuncie outras palavras conhecidas que comecem com o mesmo som e permita que compare os exemplos.
Evite simplesmente indicar a resposta correta. Faça perguntas que ajudem o estudante a pensar e a construir suas próprias hipóteses.
Como adaptar a atividade:
Para crianças que ainda não reconhecem as letras, utilize poucas opções por vez, imagens familiares e cartões com letras em tamanho grande. Para estudantes que já avançaram na alfabetização, amplie o desafio solicitando que escrevam outras palavras com a mesma letra inicial ou organizem as palavras em grupos.
O que avaliar: observe se o aluno identifica a palavra representada, reconhece o som inicial e estabelece relações entre os sons da fala e as letras. Registre os avanços e as dificuldades para orientar as próximas intervenções.
ATIVIDADE 2 — COMPLETE O ALFABETO
Objetivo de aprendizagem: ampliar o reconhecimento das letras, favorecer a identificação de sua sequência convencional e desenvolver a capacidade de localizar letras que faltam em uma série.
Materiais necessários:
- Cartaz ou ficha com a sequência do alfabeto.
- Letras móveis ou cartões com letras.
- Lápis de escrever e borracha.
- Alfabeto ilustrado para consulta, quando necessário.
Como preparar a atividade:
Prepare sequências alfabéticas com algumas letras ausentes. No início, retire apenas uma ou duas letras de sequências curtas. Conforme os estudantes avancem, apresente desafios com mais espaços vazios.
Exemplos:
A – B – ___ – D – E
F – ___ – H – I – J
K – L – M – ___ – O
P – Q – ___ – S – T
U – ___ – W – X – Y – Z
Passo a passo para realizar em sala de aula:
- Retome oralmente a sequência do alfabeto com a turma, utilizando um cartaz ou uma música conhecida.
- Entregue as fichas com as letras faltando e peça aos estudantes que observem atentamente a ordem apresentada.
- Incentive a leitura das letras antes e depois do espaço vazio. Pergunte: “Qual letra vem depois do B?” ou “Qual letra aparece entre o M e o O?”.
- Disponibilize letras móveis para que as crianças possam experimentar diferentes possibilidades antes de registrar a resposta.
- Solicite que completem os espaços e confiram suas respostas consultando o alfabeto exposto na sala.
- Para finalizar, proponha que cada estudante crie uma pequena sequência com uma letra faltando para um colega resolver.
Intervenções pedagógicas do professor:
Observe se o estudante reconhece as letras isoladamente e se consegue utilizar a sequência alfabética para localizar aquelas que faltam. Caso tenha dificuldade, trabalhe com trechos menores do alfabeto e ofereça apoio visual.
É importante compreender que memorizar a ordem alfabética e reconhecer as letras são conhecimentos relacionados, mas diferentes. Por isso, a atividade deve ser combinada com outras propostas de leitura, escrita e reflexão sobre os sons das palavras.
Como adaptar a atividade:
Para os alunos que estão iniciando, trabalhe com sequências curtas, letras móveis e modelos para consulta. Para aqueles que já reconhecem o alfabeto com segurança, retire mais letras, proponha a organização de cartões embaralhados ou peça que escrevam palavras iniciadas por determinadas letras.
O que avaliar: verifique se o aluno reconhece as letras apresentadas, localiza os espaços vazios e utiliza a sequência alfabética para completar a atividade. Observe também se consegue explicar como descobriu a resposta.
ATIVIDADE 3 — MEU NOME COMEÇA COM…
Objetivo de aprendizagem: utilizar o nome próprio como referência para reconhecer letras, comparar palavras, identificar letras iniciais e desenvolver conhecimentos sobre a escrita.
O nome próprio tem grande significado para a criança e pode funcionar como uma referência importante no processo de alfabetização. Ao observar seu nome e os nomes dos colegas, o estudante encontra letras conhecidas, compara escritas e percebe semelhanças e diferenças entre as palavras.
Materiais necessários:
- Fichas com os nomes dos estudantes.
- Cartões com as letras iniciais dos nomes.
- Alfabeto móvel.
- Cartolina ou papel para montar um painel coletivo.
- Lápis de escrever e lápis de cor.
Como preparar a atividade:
Confeccione fichas individuais com os nomes dos alunos, utilizando letras legíveis e mantendo a grafia correta de cada nome. Se necessário, acrescente uma fotografia ou um símbolo escolhido pelo próprio estudante para facilitar a identificação.
Passo a passo para realizar em sala de aula:
- Entregue a cada criança a ficha com seu nome e permita que observe como ele está escrito.
- Peça que localize a primeira letra e diga seu nome, caso já a reconheça.
- Convide os estudantes a comparar suas fichas com as dos colegas, procurando nomes que comecem com a mesma letra.
- Organize os nomes em grupos de acordo com a letra inicial. Por exemplo, todos os nomes que começam com A podem ficar juntos.
- Proponha uma conversa sobre as semelhanças encontradas: “Quais nomes começam com a mesma letra?”; “Existem nomes que começam com letras diferentes, mas terminam de maneira parecida?”.
- Monte com a turma um painel chamado “Nossa turma começa com…”, organizando as fichas de acordo com as letras iniciais.
- Para ampliar a proposta, peça que cada estudante encontre, com a ajuda do professor, outras palavras que comecem com o mesmo som de seu nome.
Intervenções pedagógicas do professor:
Utilize o nome próprio como ponto de partida para ajudar a criança a observar a escrita. Algumas podem reconhecer a ficha do próprio nome sem ainda identificar todas as letras que o compõem. Por isso, é importante fazer perguntas, comparar nomes e propor situações em que a criança observe as letras, em vez de exigir apenas a memorização da ficha.
Também é interessante explorar nomes de diferentes tamanhos, observar letras que se repetem e identificar quais estudantes compartilham letras iniciais.
Como adaptar a atividade:
Para crianças que necessitam de maior apoio, utilize fichas com letras grandes, bom contraste visual e poucos nomes para comparação. Quando necessário, ofereça recursos de comunicação, pistas visuais e tempo adicional para a participação.
Para estudantes que já reconhecem as letras iniciais, amplie a proposta solicitando a identificação de outras letras do nome, a comparação entre nomes semelhantes e a escrita espontânea de palavras conhecidas.
O que avaliar: observe se a criança reconhece a própria ficha, identifica a letra inicial, compara nomes e participa das situações de leitura e escrita propostas. Valorize as hipóteses apresentadas, mesmo quando ainda não correspondam integralmente à escrita convencional.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA IMPORTANTE
As três atividades podem ser utilizadas tanto no 1º quanto no 2º ano do Ensino Fundamental, desde que sejam ajustadas aos conhecimentos dos estudantes. A escolha da proposta deve considerar as observações do professor, as avaliações diagnósticas e as necessidades reais da turma.
Para tornar as experiências mais significativas, alterne atividades individuais com jogos, conversas coletivas, exploração de letras móveis e situações reais de leitura e escrita. Dessa maneira, o reconhecimento das letras deixa de ser apenas um exercício de repetição e passa a fazer parte de um processo de aprendizagem mais amplo, intencional e contextualizado.

A consciência fonológica é uma habilidade fundamental no processo de alfabetização. Ela se refere à capacidade de perceber, identificar, comparar e manipular os sons da fala. Isso significa que a criança começa a prestar atenção não apenas ao significado das palavras, mas também à maneira como elas soam quando são pronunciadas.
Por exemplo, quando uma criança percebe que PATO e GATO terminam com sons semelhantes, identifica que a palavra BONECA pode ser pronunciada em três partes sonoras ou percebe que SAPO e SACO começam com o mesmo som, está desenvolvendo diferentes habilidades de consciência fonológica.
Essas aprendizagens ajudam o estudante a compreender aspectos sonoros da língua e contribuem para a apropriação do sistema de escrita alfabética, especialmente quando são articuladas a situações de leitura e escrita.
É importante destacar que consciência fonológica não é a mesma coisa que conhecer as letras do alfabeto. Uma criança pode reconhecer visualmente muitas letras e ainda apresentar dificuldades para perceber os sons das palavras. Da mesma forma, pode conseguir brincar com rimas e identificar partes sonoras de palavras antes de dominar a leitura e a escrita convencional.
Por isso, o professor precisa oferecer experiências que ajudem os estudantes a ouvir, comparar e analisar as palavras faladas, avançando gradualmente para atividades que relacionem os sons às letras.
O QUE O PROFESSOR PRECISA SABER ANTES DE COMEÇAR?
A consciência fonológica abrange diferentes habilidades. Para planejar boas atividades, é importante conhecer algumas delas.
1. Percepção de palavras que rimam: a criança identifica palavras que apresentam sons finais semelhantes, como PATO e GATO.
2. Consciência silábica: a criança percebe que as palavras podem ser divididas em partes sonoras, chamadas sílabas. Por exemplo, a palavra BONECA pode ser pronunciada em três partes: BO-NE-CA.
3. Identificação de sons iniciais [Aliteração]: a criança compara palavras e percebe quando começam com sons iguais ou diferentes, como MALA e MACACO.
4. Consciência fonêmica: a criança passa a perceber e analisar os fonemas, que são as menores unidades sonoras capazes de diferenciar palavras. Por exemplo, ao comparar PATO e GATO, pode perceber que o som inicial muda. Essa habilidade exige atenção aos sons individuais e não deve ser confundida com a simples identificação do nome das letras.
Essas habilidades se relacionam, mas não são exatamente a mesma coisa. Por isso, o ideal é começar com propostas acessíveis, observar as respostas da turma e aumentar a complexidade conforme os estudantes avançam.
ATIVIDADE 4 — RIMAS DIVERTIDAS
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a capacidade de perceber semelhanças sonoras no final das palavras, ampliando a atenção aos sons da língua oral.
O que são rimas?
Rimas acontecem quando duas ou mais palavras apresentam sons finais semelhantes. Na alfabetização, podemos explorar esse conhecimento por meio de parlendas, cantigas, poemas, brincadeiras orais e cartões ilustrados.
Observe estes exemplos:
- PATO — GATO
- MALA — SALA
- JANELA — PANELA
- LEÃO — BALÃO
Ao pronunciar cada par, é possível perceber que as palavras apresentam terminações sonoras semelhantes. Não é necessário que tenham o mesmo significado. O importante, nessa atividade, é prestar atenção ao som das palavras.
Materiais necessários:
- Cartões com imagens de objetos, animais e alimentos.
- Cartões com os nomes correspondentes, caso os alunos já estejam preparados para explorá-los.
- Figuras organizadas em pares que rimam e outras que não rimam.
- Uma caixa ou sacola para guardar os cartões.
Como preparar a atividade:
Selecione imagens que representem palavras conhecidas pelas crianças. Organize pares que rimam, como PATO e GATO, e outras palavras que não formam rimas entre si, como PATO e BOLA.
No início, utilize poucas imagens para que os estudantes consigam comparar os sons sem se sentirem sobrecarregados. Antes de começar, confira se as palavras escolhidas realmente apresentam terminações sonoras semelhantes quando pronunciadas.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Comece pela escuta.
Mostre a imagem de um pato e pergunte à turma:
“Crianças, que animal é este?”
Depois que responderem, pronuncie a palavra PATO com clareza. Em seguida, apresente a imagem de um gato e diga GATO.
Peça que repitam as duas palavras e escutem como elas terminam.
2. Ajude as crianças a comparar os sons.
Pergunte:
“PATO e GATO terminam de um jeito parecido ou diferente?”
Pronuncie as palavras novamente, destacando naturalmente suas terminações. Dê tempo para que os alunos respondam. Se necessário, repita o exemplo algumas vezes.
Explique que as palavras rimam porque apresentam sons finais semelhantes.
3. Apresente novos exemplos.
Mostre dois cartões por vez e pergunte se as palavras rimam. Você pode utilizar os pares MALA e SALA, JANELA e PANELA, ou LEÃO e BALÃO.
Depois, apresente uma combinação que não rima, como MALA e PATO. Pergunte se os sons finais são parecidos.
Essa comparação ajuda a criança a compreender que nem todas as palavras formam rimas.
4. Transforme a proposta em uma brincadeira.
Coloque os cartões em uma mesa e peça que cada estudante encontre uma imagem que combine com outra pela rima.
A criança pode escolher PATO e procurar GATO, por exemplo. Quando encontrar o par, deverá pronunciar as palavras em voz alta.
Se o estudante ainda não conseguir encontrar o par sozinho, ofereça duas opções para que possa comparar.
5. Amplie a aprendizagem.
Depois que a turma compreender a brincadeira, convide os alunos a sugerir outras palavras que rimem com as apresentadas. Também é possível utilizar pequenas parlendas e cantigas para localizar palavras com sons finais semelhantes.
O que o professor pode dizer durante a atividade?
- “Vamos falar essas duas palavras devagar?”
- “O que você percebe no final dessas palavras?”
- “Você consegue encontrar outra palavra que termine com um som parecido?”
- “Essas palavras rimam ou apenas começam de maneira semelhante?”
As perguntas devem ajudar a criança a prestar atenção aos sons, sem transformar a atividade em uma sequência de respostas decoradas.
Como adaptar a atividade:
Para crianças que precisam de maior apoio, utilize imagens grandes, poucas opções por vez, repetição oral e pistas visuais. Permita que respondam apontando para os cartões, caso ainda não consigam explicar verbalmente.
Para estudantes que já identificam rimas com facilidade, proponha a criação de versos curtos, a descoberta de novos pares ou a identificação de rimas em cantigas e poemas.
O que avaliar: observe se o estudante percebe semelhanças sonoras, identifica pares que rimam e consegue justificar sua escolha com apoio ou de maneira independente. Não avalie apenas a quantidade de respostas corretas; observe também quais pistas ajudam a criança a compreender a proposta.
ATIVIDADE 5 — QUANTAS SÍLABAS TEM?
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a consciência silábica, ajudando a criança a perceber que as palavras podem ser divididas em partes sonoras.
O que são sílabas?
As sílabas são unidades sonoras que organizam a pronúncia das palavras. Para começar a trabalhar essa habilidade, o professor pode propor que as crianças falem palavras conhecidas e percebam suas partes sonoras.
Veja alguns exemplos:
- CASA: CA-SA — duas sílabas.
- BONECA: BO-NE-CA — três sílabas.
- BORBOLETA: BOR-BO-LE-TA — quatro sílabas.
- SOL: SOL — uma sílaba.
Uma forma simples de apresentar essa aprendizagem é convidar a turma a pronunciar as palavras e marcar cada sílaba com uma palma, um toque na mesa ou uma ficha.
É importante explicar que bater palmas é apenas um recurso para ajudar a perceber as partes sonoras. A criança precisa prestar atenção à pronúncia da palavra, e não somente contar os movimentos realizados.
Materiais necessários:
- Cartões com imagens de objetos, animais, alimentos e brinquedos.
- Fichas ou tampinhas para representar as sílabas.
- Folhas de registro.
- Lápis de escrever e lápis de cor.
Como preparar a atividade:
Escolha palavras familiares, começando por aquelas que sejam mais fáceis de pronunciar e segmentar, como CASA, BOLA, PATO e MALA. Depois, introduza palavras com três ou quatro sílabas, como BONECA e BORBOLETA.
Prepare cartões com imagens e, se desejar, folhas com espaços para que os estudantes registrem a quantidade de sílabas identificadas.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Apresente uma palavra conhecida.
Mostre a imagem de uma casa e pergunte:
“O que aparece nesta figura?”
Depois que a turma responder, pronuncie a palavra CASA naturalmente.
2. Pronuncie a palavra em partes.
Diga CA-SA, fazendo uma pequena pausa entre as sílabas. Convide as crianças a repetir com você.
Explique que a palavra pode ser dividida em duas partes sonoras: CA e SA.
3. Marque as sílabas.
Pronuncie novamente CA-SA e peça que os alunos batam palmas uma vez para cada parte pronunciada.
Nesse exemplo, serão duas palmas. Repita o procedimento com BONECA: BO-NE-CA. Nesse caso, serão três palmas.
4. Utilize fichas para representar as partes sonoras.
Entregue três ou quatro fichas a cada criança. Pronuncie uma palavra e peça que coloque uma ficha para cada sílaba percebida.
Para CASA, a criança colocará duas fichas. Para BONECA, colocará três.
Esse recurso torna a atividade mais concreta e ajuda o professor a observar como a criança está realizando a divisão sonora.
5. Compare palavras diferentes.
Apresente CASA e BORBOLETA. Pergunte:
“Qual dessas palavras tem mais partes sonoras?”
Peça que pronunciem ambas e contem as sílabas. Explique que palavras diferentes podem apresentar quantidades diferentes de sílabas.
6. Registre as descobertas.
Entregue uma ficha com imagens e espaços para registrar a quantidade de sílabas. A criança poderá pintar um quadrinho para cada sílaba identificada ou desenhar a quantidade correspondente.
No início, o professor pode realizar a atividade coletivamente e, depois, propor registros individuais.
Intervenções pedagógicas do professor:
Se a criança bater palmas sem acompanhar as partes sonoras, pronuncie a palavra novamente e faça a segmentação junto com ela. Utilize palavras curtas antes de avançar para palavras mais longas.
Evite corrigir de maneira apressada. Observe como o estudante pronuncia a palavra e ofereça oportunidades para que tente novamente.
Também é importante considerar a variedade linguística, a pronúncia regional e possíveis dificuldades de fala, sem constranger a criança ou confundir diferenças de pronúncia com falta de aprendizagem.
Como adaptar a atividade:
Para estudantes que precisam de mais apoio, trabalhe com uma ou duas palavras por vez, utilize imagens e fichas grandes e realize a segmentação coletivamente.
Para aqueles que já dominam a proposta, organize desafios de classificação, solicitando que separem palavras com uma, duas, três ou quatro sílabas e expliquem como chegaram à resposta.
O que avaliar: observe se a criança consegue pronunciar a palavra, perceber suas partes sonoras e representá-las por meio de palmas, fichas ou registros. Verifique se consegue contar as sílabas sem depender integralmente da imitação do professor.
ATIVIDADE 6 — QUAL É O PRIMEIRO SOM?
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a capacidade de identificar e comparar o som inicial das palavras, preparando os estudantes para refletir sobre as relações entre fonemas e grafemas.
O que significa identificar o primeiro som?
Identificar o primeiro som significa prestar atenção à maneira como uma palavra começa quando é pronunciada.
Por exemplo, SAPO e SACO começam com o mesmo som inicial. Já SAPO e MALA começam com sons diferentes.
Essa atividade exige que a criança escute a palavra e observe sua parte inicial. Ela é diferente de perguntar apenas qual é a primeira letra escrita, pois o objetivo principal é perceber o som da fala.
O professor pode relacionar os sons às letras depois que os estudantes tiverem oportunidades de ouvi-los, compará-los e identificá-los oralmente.
Materiais necessários:
- Cartões com imagens de palavras conhecidas.
- Cartões com letras, para os estudantes que já conseguem relacionar sons e grafias.
- Uma mesa ou painel para organizar as imagens.
Como preparar a atividade:
Escolha imagens de palavras que comecem com sons diferentes e também alguns pares que compartilhem o som inicial.
Exemplos de palavras que começam com o mesmo som:
- SAPO e SACO.
- MALA e MACACO.
- FACA e FITA.
Exemplos de palavras que começam com sons diferentes:
- SAPO e MALA.
- FACA e BOLA.
- PATO e CASA.
Antes da aplicação, pronuncie as palavras e confira os sons iniciais. Lembre-se de que o nome da letra nem sempre corresponde ao som que ela representa na palavra.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Comece com uma palavra conhecida.
Mostre a imagem de um sapo e pergunte:
“O que é isso?”
Depois que as crianças responderem, pronuncie SAPO claramente.
2. Ajude a turma a perceber o começo da palavra.
Diga SAPO e SACO, uma palavra de cada vez. Peça que escutem atentamente o início das duas palavras.
Pergunte:
“Essas palavras começam com o mesmo som ou com sons diferentes?”
Dê tempo para que comparem e respondam.
3. Compare palavras com sons iniciais diferentes.
Mostre as imagens de SAPO e MALA. Pronuncie as duas palavras e peça que observem como cada uma começa.
Se necessário, repita os exemplos e solicite que os estudantes digam as palavras em voz alta.
4. Organize um jogo de classificação.
Coloque três ou quatro imagens sobre a mesa. Escolha uma palavra de referência e peça que as crianças encontrem outra imagem que comece com o mesmo som.
Por exemplo, apresente MALA e convide os alunos a localizar MACACO entre outras imagens.
À medida que a turma avançar, aumente a quantidade de cartões e inclua palavras com sons iniciais diferentes.
5. Relacione o som à letra.
Quando a criança conseguir perceber o som inicial, mostre a letra correspondente e explique que a escrita utiliza letras para representar os sons da fala.
Por exemplo, SAPO começa com o som representado pela letra S. Apresente outras palavras que começam com esse som e peça que observem a letra inicial.
Essa etapa deve ser realizada de acordo com os conhecimentos da turma, sem exigir que todos os estudantes dominem a relação entre sons e letras ao mesmo tempo.
Intervenções pedagógicas do professor:
Se a criança identificar a palavra pela imagem, mas não perceber o som inicial, repita a palavra lentamente e compare-a com outra palavra conhecida. Ofereça duas opções de resposta e incentive a escuta atenta.
Evite acrescentar uma vogal ao som das consoantes. Ao trabalhar o som inicial de SAPO, por exemplo, o foco deve estar no som /s/, e não em pronunciar “sê” ou “se” como se fossem o som inicial da palavra.
Algumas consoantes são mais difíceis de perceber isoladamente do que outras. Por isso, utilize exemplos claros e conhecidos, ofereça apoio oral e visual e respeite o tempo necessário para cada criança compreender a proposta.
Como adaptar a atividade:
Para crianças que necessitam de maior apoio, utilize imagens familiares, poucas alternativas e repetição oral. Permita respostas por apontamento ou seleção de cartões.
Para estudantes que já identificam os sons iniciais com autonomia, proponha que encontrem palavras adicionais, comparem palavras com sons semelhantes ou registrem por escrito aquelas que descobriram.
O que avaliar: observe se o estudante consegue identificar a palavra apresentada, perceber seu som inicial, comparar palavras e reconhecer quando duas palavras começam de maneira semelhante. Registre quais apoios foram necessários para que ele realizasse a atividade.
ORIENTAÇÕES FINAIS PARA O PROFESSOR
O trabalho com a consciência fonológica deve acontecer de maneira planejada, progressiva e significativa. O professor não precisa começar com atividades complexas. Pode iniciar com brincadeiras de rimas, avançar para a identificação das sílabas e propor comparações entre os sons iniciais das palavras, observando as respostas dos estudantes.
Essas habilidades não seguem necessariamente uma sequência rígida para todas as crianças. O planejamento precisa considerar o que cada estudante já consegue fazer e quais desafios podem ajudá-lo a avançar.
Também é importante compreender que desenvolver a consciência fonológica não significa abandonar o trabalho com a leitura e a escrita. As propostas devem ser articuladas ao contato com livros, histórias, listas, nomes próprios, parlendas, cantigas e diferentes gêneros textuais.
Ao longo das atividades, registre as observações, identifique as dificuldades recorrentes e retome os conhecimentos que ainda precisam ser consolidados. Dessa forma, a consciência fonológica passa a fazer parte de um trabalho de alfabetização intencional, acolhedor e orientado pelas necessidades reais da turma.

Depois de proporcionar experiências de reconhecimento das letras e de exploração dos sons da fala, o professor pode ampliar o trabalho com propostas que ajudem os estudantes a compreender como as letras se organizam para formar palavras.
Nessa etapa, é importante oferecer situações em que as crianças possam experimentar diferentes combinações de letras, observar a posição de cada uma, comparar palavras e refletir sobre a relação entre aquilo que falam e aquilo que escrevem.
Formar palavras não significa apenas colocar letras em uma sequência. É necessário ajudar o estudante a perceber que a escrita segue uma organização e que a mudança ou a troca de uma letra pode modificar a palavra formada.
Por exemplo, ao comparar PATO e GATO, a criança pode observar que as duas palavras apresentam uma estrutura semelhante, mas começam com letras diferentes e representam animais distintos.
As atividades a seguir utilizam recursos simples e acessíveis, que podem ser confeccionados pelo próprio professor e adaptados aos conhecimentos de cada turma.
ATIVIDADE 7 — ORGANIZE AS LETRAS
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a capacidade de organizar letras para compor palavras, relacionando a sequência escrita à leitura e ao significado.
Materiais necessários:
- Letras móveis de papel, EVA, plástico ou madeira.
- Cartões com imagens de palavras conhecidas.
- Fichas com as palavras escritas corretamente, para consulta quando necessário.
- Folhas para registro e lápis.
Como preparar a atividade:
Escolha palavras familiares às crianças, como SOL, PATO, BOLA, CASA e MALA. Prepare cartões com as imagens correspondentes e separe as letras necessárias para formar cada palavra.
No início, ofereça apenas as letras que serão utilizadas na palavra escolhida. Conforme os estudantes avancem, apresente letras adicionais para que precisem selecionar aquelas que consideram adequadas.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Apresente a imagem e converse sobre ela.
Mostre a figura de uma bola e pergunte:
“O que aparece nesta imagem?”
Depois que as crianças identificarem o objeto, diga a palavra BOLA em voz alta.
2. Disponibilize as letras móveis.
Entregue as letras B, O, L e A, inicialmente fora de ordem. Peça aos estudantes que observem cada letra e tentem organizá-las para escrever a palavra BOLA.
3. Incentive a reflexão sobre a escrita.
Enquanto as crianças organizam as letras, faça perguntas como:
- “Qual letra você colocaria no começo da palavra?”
- “O que acontece se mudarmos a posição dessas letras?”
- “Depois de organizar as letras, você consegue ler a palavra que formou?”
Dê tempo para que experimentem diferentes possibilidades. Evite antecipar a resposta antes de permitir que pensem.
4. Faça a leitura da palavra formada.
Quando a criança terminar, convide-a a acompanhar a leitura da palavra, relacionando o que está escrito à imagem apresentada.
Caso a sequência ainda não esteja correta, compare a tentativa do estudante com a palavra convencional, destacando as letras que precisam ser reorganizadas.
5. Amplie o desafio.
Depois de trabalhar com BOLA, proponha outras palavras. Você também pode pedir que os estudantes comparem palavras que compartilham algumas letras, como PATO e GATO, observando o que permanece igual e o que muda.
Intervenções pedagógicas do professor:
Observe se a criança reconhece as letras, considera a ordem em que aparecem e consegue relacionar a palavra formada à imagem correspondente.
Se houver dificuldade, reduza a quantidade de letras disponíveis, apresente um modelo para consulta ou construa a palavra junto com o estudante, explicando cada escolha.
Não exija que todas as crianças realizem a atividade sem ajuda. O objetivo é oferecer desafios possíveis e intervenções que favoreçam a aprendizagem.
Como adaptar a atividade:
Para estudantes que ainda estão construindo o reconhecimento das letras, utilize palavras curtas, imagens familiares e letras móveis grandes. Disponibilize poucas opções e permita que realizem a atividade com um colega ou com apoio individual.
Para crianças que já formam palavras com autonomia, apresente letras adicionais, proponha a escrita de novas palavras ou solicite que comparem duas palavras e expliquem quais letras são iguais e quais são diferentes.
O que avaliar: observe se o estudante reconhece as letras utilizadas, organiza a sequência escrita, relaciona a palavra à imagem e tenta ler o resultado. Registre os apoios necessários para planejar os próximos desafios.
ATIVIDADE 8 — COMPLETE A PALAVRA
Objetivo de aprendizagem: desenvolver a reflexão sobre a composição das palavras, incentivando o reconhecimento de letras e a identificação de elementos ausentes na escrita.
Materiais necessários:
- Cartões com imagens.
- Fichas com palavras incompletas.
- Letras móveis.
- Lápis de escrever e lápis de cor.
Como preparar a atividade:
Prepare cartões com imagens e palavras que tenham uma letra faltando. Por exemplo:
- _ATO — imagem de um pato.
- BO_A — imagem de uma bola.
- CA_A — imagem de uma casa.
Nesses exemplos, as palavras completas são PATO, BOLA e CASA. O professor deve utilizar as imagens como apoio, ajudando a criança a relacionar o significado da palavra à sua forma escrita.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Apresente a imagem e a palavra incompleta.
Mostre a figura de um pato e apresente a ficha com a escrita _ATO.
Pergunte:
“Que palavra representa esta imagem? Qual letra está faltando para completá-la?”
2. Incentive a criança a pensar antes de responder.
Peça que observe as letras que já aparecem na ficha. Pronuncie a palavra PATO e convide o estudante a refletir sobre sua escrita.
Se necessário, ofereça algumas letras móveis para que possa experimentar diferentes possibilidades.
3. Complete a palavra.
Quando identificar a letra adequada, a criança deverá colocá-la no espaço vazio ou registrá-la na ficha.
Em seguida, convide-a a ler a palavra completa e verificar se ela corresponde à imagem.
4. Compare outras palavras.
Repita o procedimento com BO_A e CA_A. Ajude a turma a perceber que a posição da letra ausente muda de uma palavra para outra e que é necessário observar toda a escrita.
5. Finalize com um pequeno desafio.
Entregue uma ficha com duas ou três palavras incompletas e solicite que os alunos tentem resolvê-las individualmente. Depois, faça a correção coletiva, permitindo que expliquem como chegaram às respostas.
Intervenções pedagógicas do professor:
Quando a criança não souber qual letra utilizar, não forneça imediatamente a resposta. Faça perguntas que a ajudem a analisar a palavra, pronuncie-a com clareza e retome a imagem correspondente.
É importante lembrar que a imagem, sozinha, não ensina a criança a escrever. Ela funciona como uma pista de significado, enquanto a reflexão sobre as letras e os sons ajuda a compreender como a palavra é registrada.
Como adaptar a atividade:
Para alunos que precisam de maior apoio, apresente duas opções de letras para cada espaço e trabalhe uma palavra por vez. Utilize imagens nítidas e permita o uso de letras móveis antes do registro escrito.
Para estudantes que já dominam a proposta, aumente gradualmente o desafio, retirando mais de uma letra ou solicitando que criem suas próprias palavras incompletas para os colegas resolverem.
O que avaliar: observe se a criança utiliza as pistas disponíveis, reconhece as letras presentes, identifica o elemento ausente e consegue conferir a palavra formada. Registre se realizou a tarefa de maneira independente ou com ajuda.
ATIVIDADE 9 — CONSTRUA UM BANCO DE PALAVRAS
Objetivo de aprendizagem: ampliar o repertório de palavras conhecidas pelos estudantes e criar uma referência visual para apoiar atividades de leitura, escrita e produção de pequenos textos.
O que é um banco de palavras?
O banco de palavras é um conjunto de palavras organizado para consulta. Pode ser construído em um cartaz, mural, caderno coletivo ou painel acessível aos alunos.
Ele reúne palavras relacionadas a um tema estudado e permite que as crianças consultem a escrita convencional durante diferentes situações de aprendizagem.
Por exemplo, ao trabalhar o tema ANIMAIS, a turma pode reunir palavras como GATO, CACHORRO, PATO, SAPO e CAVALO. Durante uma produção escrita, os estudantes poderão consultar o mural para encontrar uma palavra de que precisam.
O banco de palavras não deve servir apenas para decorar a sala. Seu principal objetivo é funcionar como um recurso de apoio à leitura e à escrita, incentivando os estudantes a consultar informações e tomar decisões.
Materiais necessários:
- Cartolina, papel kraft ou painel.
- Cartões de papel.
- Canetas coloridas.
- Imagens relacionadas ao tema.
- Fita adesiva ou outro material para fixação.
Como preparar a atividade:
Escolha um tema relacionado ao projeto desenvolvido em sala de aula, como animais, alimentos, brinquedos, meios de transporte ou elementos da natureza.
Prepare um painel com o título do tema e reserve espaços para acrescentar palavras gradualmente. Você pode organizar os cartões com a palavra escrita em destaque e uma imagem correspondente, especialmente para os alunos que ainda estão iniciando a alfabetização.
Passo a passo para aplicar em sala de aula:
1. Escolha o tema com a turma.
Converse com os estudantes sobre o assunto que será trabalhado. Se o tema for ANIMAIS, pergunte quais animais conhecem e quais gostariam de incluir no painel.
2. Registre as palavras sugeridas.
Anote as palavras mencionadas pelas crianças. Nesse primeiro momento, valorize a participação e os conhecimentos prévios dos alunos.
3. Explore a escrita das palavras.
Escolha uma palavra de cada vez e escreva sua forma convencional, permitindo que os estudantes observem as letras, a letra inicial, a quantidade de letras e outras características relevantes.
Você também pode comparar palavras que começam com a mesma letra ou que compartilham partes da escrita.
4. Organize o mural.
Escreva cada palavra em um cartão legível e, quando necessário, acrescente uma imagem. Organize os cartões no painel de modo que todos consigam visualizá-los e consultá-los.
5. Utilize o banco em outras atividades.
Durante uma proposta de escrita, convide os estudantes a procurar no mural as palavras de que precisam. Por exemplo, ao escrever uma frase sobre um animal, a criança poderá consultar a palavra GATO para verificar como se escreve.
6. Amplie o repertório gradualmente.
Acrescente novas palavras conforme o tema avance. O painel pode ser revisado, reorganizado e utilizado em atividades de leitura, classificação, comparação de palavras e produção de frases.
Intervenções pedagógicas do professor:
Incentive os alunos a consultar o banco antes de perguntar como uma palavra é escrita. Pergunte quais pistas encontraram e como decidiram qual cartão utilizar.
Se a criança identificar a palavra pela imagem, ajude-a a observar também a escrita. O objetivo é que, progressivamente, passe a utilizar as letras como fonte de informação.
Como adaptar a atividade:
Para crianças que ainda estão construindo o reconhecimento das letras, utilize imagens, palavras familiares, cartões com letras grandes e um número reduzido de opções.
Para estudantes que já escrevem palavras e frases, organize o banco por ordem alfabética, categorias temáticas ou letras iniciais. Também é possível construir bancos específicos para apoiar a produção de pequenos textos.
O que avaliar: observe se o aluno consulta o mural, reconhece palavras, utiliza as informações disponíveis e amplia gradualmente sua autonomia durante a leitura e a escrita.
COMO ORGANIZAR ESSAS ATIVIDADES NA ROTINA ESCOLAR
As propostas apresentadas podem ser distribuídas ao longo da semana, retomadas em diferentes momentos ou integradas a projetos desenvolvidos pela turma. Não é necessário aplicar todas as atividades de uma só vez.
Uma possibilidade de organização é iniciar com a formação de palavras utilizando letras móveis, avançar para a complementação de palavras e, depois, construir um banco coletivo para apoiar outras situações de leitura e escrita.
O professor deve considerar os conhecimentos prévios dos estudantes e planejar intervenções específicas para aqueles que necessitam de mais apoio. As mesmas atividades podem ser retomadas com diferentes níveis de complexidade, permitindo que cada criança avance a partir do que já sabe.
Também é importante alternar os registros individuais com jogos, atividades coletivas, leitura de textos e propostas de escrita com finalidade real. Dessa forma, a alfabetização não fica limitada ao preenchimento de fichas e passa a envolver experiências variadas com a língua escrita.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de alfabetização exige planejamento, observação e intervenções pedagógicas intencionais. Reconhecer letras, perceber os sons das palavras, identificar sílabas e organizar letras para formar palavras são aprendizagens relacionadas que precisam ser trabalhadas de maneira articulada.
As atividades apresentadas neste artigo oferecem possibilidades para apoiar o trabalho do professor, mas não devem ser utilizadas como uma sequência rígida ou igual para todas as crianças. Cada turma possui características próprias, e cada estudante pode apresentar conhecimentos, dificuldades e ritmos de aprendizagem diferentes.
Por isso, é fundamental observar as respostas dos alunos, registrar seus avanços e retomar os conteúdos sempre que necessário. O professor pode começar com propostas simples, utilizar materiais acessíveis e ampliar gradualmente os desafios, respeitando as necessidades identificadas durante o processo.
Mais importante do que realizar muitas atividades é garantir que elas tenham objetivos claros e contribuam para a compreensão da leitura e da escrita. Quando o estudante tem oportunidades de experimentar, comparar, formular hipóteses e refletir sobre as palavras, amplia suas possibilidades de aprender com significado.
Esperamos que estas orientações contribuam para o planejamento de aulas mais intencionais, acolhedoras e produtivas. Que cada proposta seja um ponto de partida para novas descobertas e para a construção de experiências de alfabetização cada vez mais significativas.
O Mosaico Educacional acredita que compartilhar conhecimentos e práticas pedagógicas é uma forma de fortalecer o trabalho docente e contribuir para a aprendizagem de todos os estudantes.
Continue acompanhando o Mosaico Educacional para encontrar novas ideias, orientações e recursos que possam inspirar sua prática em sala de aula.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 11 out. 2026.
MORAIS, Artur Gomes de. Consciência fonológica na educação infantil e no ciclo de alfabetização. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2020.
SOARES, Magda. Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2022.





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